Recursos e Indicações

Fichas PECS: o que são, como usar em casa e onde comprar

Por Anne Cavalcante · MAEON · Cantinho da Mãe Atípica

O João tem 2 anos, Síndrome de Down, e ainda não fala. A comunicação entre nós é feita de olhares, gestos, apontar e muita escuta ativa da minha parte. Foi a fonoaudióloga quem nos apresentou as fichas PECS e desde então elas fazem parte da nossa rotina diária. Não foi do dia para a noite. Mas foi real.

Aqui em casa, a fono nos orientou a nomear tudo, esperar, falar antes de agir e sempre usar o visual. As fichas PECS entraram como parte desse conjunto de estratégias. Junto com a rotina visual, as músicas, os livros que a gente lê juntos toda tarde e toda noite antes de dormir, elas compõem o que chamamos de “ambiente de estímulo”. E os resultados aparecem: o João já fala algumas palavrinhas.

Se você tem um filho com Síndrome de Down, autismo ou qualquer condição que afeta a comunicação verbal, provavelmente já ouviu falar em PECS. Mas entre ouvir e entender como usar na prática, existe uma distância que este artigo vai ajudar a encurtar.

O que é PECS?

PECS significa Picture Exchange Communication System ou Sistema de Comunicação por Troca de Figuras. É uma abordagem desenvolvida nos anos 1980 para ensinar crianças com dificuldades de comunicação verbal a se comunicar através de imagens.

A ideia central é simples: a criança aprende que ao entregar uma figura para outra pessoa, ela consegue comunicar um desejo ou necessidade. Isso é poderoso porque não exige fala para funcionar, mas frequentemente ajuda no desenvolvimento dela.

⚠️ Importante: O PECS é uma abordagem terapêutica estruturada. A introdução formal deve ser feita com orientação de fonoaudiólogo ou terapeuta treinado. Os materiais que indico aqui apoiam e complementam o trabalho terapêutico em casa, não substituem o acompanhamento profissional.

As fases do PECS (de forma simplificada)

O PECS é organizado em fases progressivas. Entender isso ajuda a escolher os materiais certos para onde o seu filho está agora:

  1. Troca física: A criança aprende a pegar uma figura e entregá-la a uma pessoa para obter o que quer.
  2. Distância e persistência: Ela passa a buscar o comunicador mesmo com a pessoa mais distante.
  3. Discriminação: Aprende a escolher entre diferentes figuras, o que quer realmente.
  4. Estrutura de frase: Usa uma tira de frases (“Eu quero + figura”).
  5. Respondendo a perguntas: Responde “O que você quer?” usando as figuras.
  6. Comentando: Começa a usar para comunicar além de pedidos — sentimentos, observações.

O que você precisa para começar em casa

  • Um conjunto de fichas PECS com as figuras relevantes para o seu filho
  • Uma pasta PECS ou comunicador para organizar e transportar as fichas
  • Velcro para fixar as fichas na pasta e nas tiras de frase
  • Consistência no uso que é a parte mais difícil e mais importante

💡 O que funciona aqui em casa: A rotina visual com as fichas mostrando situações do cotidiano, o cachorro, os animais, as atividades do dia é o que mais engaja o João. Ele reconhece, aponta e reage. Começamos com as coisas que ele mais ama, e isso fez toda a diferença.

Onde comprar:

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A pasta é fundamental para organizar as fichas e transportar o comunicador para onde a criança for, escola, terapia, passeios. Os melhores modelos têm divisórias, bolsos e tiras de frases inclusas.

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PECS x aplicativos de CAA: o que é melhor?

Essa é uma dúvida muito comum. A resposta honesta é: depende do seu filho.

As fichas físicas têm vantagens importantes para crianças menores: são táteis, reais e não distraem. Já os aplicativos podem ser mais práticos para crianças mais velhas. Muitas famílias usam os dois de forma complementar — e é exatamente isso que fazemos aqui em casa.

Combinando PECS com o quadro de rotina

As fichas PECS e o quadro de rotina são complementares. Enquanto o quadro mostra o que vai acontecer, as fichas permitem que a criança comunique o que quer dentro daquela rotina.

  • Use pictogramas padronizados nos dois materiais sempre que possível
  • Mantenha os materiais acessíveis — não guardados em armário
  • Envolva todos os cuidadores no uso consistente (escola, avós, babá)
  • Reforce positivamente toda tentativa de comunicação, mesmo imperfeita

🌿O João tem 2 anos e ainda está construindo a fala. Mas ele se comunica com o olhar, com o gesto, com as fichas, com os livros que a gente lê juntos toda tarde e toda noite antes de dormir. A comunicação alternativa não é um recurso para quem “não vai falar”. É uma ponte. E às vezes é exatamente essa ponte que libera a fala. Você está no caminho certo. 💚

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ANNE CAVALCANTE

Mãe da Laura e do João (T21) | Fundadora da MAEON. Apoiando mães atípicas com organização, informação e caminhos possíveis.

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